Seja bem-vindo a mais uma parte de nossa incrível série de matérias sobre os maiores guerreiros que já viveram, afinal enquanto humanos viverem as guerras continuarão a ser parte da história do mundo.
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| Rijksmuseum, CC0, via Wikimedia Commons |
Vamos começar com o romano Marcus Cassius Scaeva, um centurião que fez parte do exército do famoso e infame Júlio César. Você já viu a história de César na quinta parte dessa série de matéria (e se não viu clique aqui e veja agora), mas César nunca teria chegado aonde chegou sem aliados, e Marcus Cassius era um deles.
Honestamente pouco se sabe da vida de Marcus antes dele se juntar ao exército romano, isso significa que ele não era ninguém importante e era filho de um zé ninguém. Sabe-se apenas que um de seus hobbies aparentemente era lutar contra gladiadores profissionais.
Marcus serviu nas linhas de frente durante as batalhas de César na Gália e na Alemanha. Um dia, César decidiu que iria navegar até a ilha da Grã-Bretanha para aumentar o seu império ainda mais, e Marcus estava na Legião que foi mandada para lá. Ele e seus homens desembarcaram na praia, mas nada de importante estava acontecendo ali, por isso enquanto seus companheiros montavam um acampamento Marcus e mais alguns soldados ficaram de vigia.
Assim que seus aliados desapareceram seus inimigos apareceram e Marcus ainda estava de guarda, seus inimigos bretões atiraram dardos, mas o guerreiro conseguiu bloquear a maioria deles com seu escudo. Seus inimigos decidiram partir para o mano a mano mas o romano não era nenhum novato.
Segundo relatos durante a batalha seu capacete foi derrubado, seu escudo foi destruído e ele quebrou a lança no abdome de alguém que ele estava no processo de empalar. Desarmado, ferido e sem armadura, Marcus de alguma forma conseguiu escapar e fugiu de volta para o acampamento de César, deixando vários mortos em seu rastro. Ao chegar até César ele implorou perdão por perder seu equipamento e não ter a coragem de morrer valentemente como um homem no campo de batalha. César, para a surpresa de Marcus, o promoveu ao posto de centurião.
Quando Júlio César participou da Batalha de Dirráquio em 48 a.C, a Corte de Cassius tinha cerca de 480 homens, e eles foram encarregados de defender um portão pequeno, frágil e improvisado. Os legionários fizeram o que lhes foi ordenado, mas eles devem ter se surpreendido muito quando viram que a legião de soldados pompeianos, os seus inimigos, tinha cerca de 6.000 homens.
Marcus pessoalmente levou o ataque aos inimigos mesmo com as chances de vitória sendo nulas, foram tantos cortes que sua espada ficou cega no meio da batalha forçando ele a usar sua faca, mais uma vez os inimigos atiraram dardos e ele pegou a maioria com seu escudo, depois vieram flechas e ele pegou a maioria... mas não todas.
No meio da batalha uma flecha atravessou o seu olho esquerdo lhe deixando permanentemente cego, seus soldados provavelmente acharam que a batalha estava no fim, mas Marcus tinha outros planos, ele mesmo arrancou a flecha de seu olho, deu um grito de guerra e mandou seus homens avançaram, ele passou a lutar com mais raiva e violência, matando vários inimigos e deixando outros em péssimo estado.
Finalmente, após mais de uma hora de combates ferozes, a perda de sangue finalmente afetou o guerreiro. Ele desmaiou, caiu de joelhos e lutou para ficar de pé. As legiões inimigas, vendo que o comandante estava mais morto do que vivo, pediram uma pausa na luta e para ele se render, mas ele recusou. Além da flecha em seu olho outras duas flechas o atingiram, uma na garganta e outra no joelho.
A luta chegou ao fim, Júlio César venceu seu inimigo em outra batalha, e Marcus surpreendentemente ainda estava respirando, mas em péssimo estado. Ele foi promovido ao posto de Primus Pilus, o ranking de centurião mais alto da Legião, e recebeu um presente de 200.000 sestércios. Sua corajosa corte recebeu um pagamento dobrado pelo resto da vida.
Não se sabe muito sobre Marcus depois dessa grande batalha, sabe-se apenas que quando César foi assassinado ele lutou para vingar seu antigo chefe na Batalha de Áccio em 31 a.C.
Acredita-se que ele tenha morrido pouco tempo depois dessa batalha. Sua história não ficou tão famosa quanto outros guerreiros dessa lista, mas ele já apareceu em livros de história e diversas listas de maiores guerreiros que já viveram, muitos o apelidaram de "o romano mais durão da história".